Uma carta de gratidão
Eu conheci o Augusto por um aplicativo, conversamos por praticamente um ano antes de nos encontrarmos pessoalmente, em Janeiro de 2016 nos encontramos em Curitiba, no shopping Estação, e eu tive uma das melhores semanas da minha vida.
Nosso namoro terminou há umas duas semanas.
Eu vou continuar com os presentes e livros emprestados dele na minha estante, não vou apagar nenhuma foto, nem farei questão de esquecer coisas que me lembrem a ele. Tem um ou dois momentos que eu sei que irei guardar pra sempre.
Um deles aconteceu numa noite, anterior a uma das cirurgias que ele teve de passar, e nós assistimos um filme, estávamos felizes, ele pela primeira vez estava tranquilo antes de algum procedimento médico. Quando as letrinhas finais começaram a passar junto com a música "I will survive" ele se levantou e me chamou pra dançar, eu sou péssima pra dançar e fui tímida mesmo com alguém que já conhecia todas as curvas e movimentos do meu corpo. Eu ria tanto, uma risada gostosa e pura, de diversão genuína.
O outro foi quando eu fui para São Paulo no meio do ano, depois do dia dos namorados. A gente tinha se prometido em 2015 que passaríamos o dia 12 de Julho de 2016 juntos, mas não tinha sido possível. Mesmo assim eu preparei vários presentinhos para entregar quando nos víssemos, incluindo cartas, com textos que escrevi inspirada nele e só havia mostrado virtualmente. Chegou o dia da viagem e fomos para o apartamento dele pra eu poder entregar as surpresinhas. Eu fiz ele ficar no outro quarto enquanto eu arrumava tudo. Pendurei corações no teto, acendi algumas velas, fiz até um pseudo abajur com fotos nossas impressas em papel vegetal. Depois de arrumar o quarto eu me arrumei e fui chamá-lo. Ele achou lindo o lugar, sentamos na cama e eu entreguei uma das cartas. Depois de ler uma parte ele escondeu o rosto na camiseta, estava chorando. "Você me fez chorar... Eu não to acostumado com coisas tão boas" ele me disse, e então eu chorei junto, de amor, de alegria. Tudo que eu queria era fazer ele aceitar coisas boas com braços abertos.
O Augusto foi muito importante na minha vida, ele me mostrou que minha voz tinha todo o potencial pra ser forte, ele me ajudou a firmar meus pés no chão quando parecia que tudo que era sólido havia sumido. Ele me ajudou a me despir da culpa que eu sentia desde criança por coisas simples que não deveriam carregar nenhum peso.
Infelizmente por sofrer algumas desventuras ao decorrer da sua vida, ele acabou aceitando o sofrimento como verdade. E eu comecei a sentir todo aquele sentimento de liberdade e vida que ele tinha me proporcionado sendo tirado de mim aos poucos. Eu tinha acabado de começar a viver, não estava pronta para abrir mão disso novamente. Percebi que eu não posso salvar ninguém, nem com todo amor do mundo, e aprendi que as vezes amar alguém não é o suficiente, custei a aprender isso por que acreditava fortemente nessa filosofia.
Desejo a ele tudo de melhor, e não sinto nada além de gratidão, por ele e sua família que me tratou como se fosse um deles. Minha alegria é saber que sempre poderei lembrar do meu primeiro namorado com muito carinho.
Agora eu estou buscando receber da vida tudo o que ela estiver disposta a me dar, aproveitando cada oportunidade para ser uma pessoa melhor e uma amante melhor, para os outros, para a vida e para mim.
Que lindo texto, a muito tempo esperava ler algo seu, algo que viesse mesmo do seu coração. Me deixa feliz saber do seu crescimento, e até sua maturidade em toda essa situação. Eu te amo muito e estou com tanta saudades de você, sinto sua falta!!!!!!
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