Histórico Escolar
Olá!
Estou a um bom tempo sem escrever, e nunca senti tanta falta
quanto nessa semana. Minha desculpa é que tem tanta coisa acontecendo na minha
vida agora que eu não tenho por onde começar , mas desculpas são desculpas e
uma hora a gente percebe que muitas delas não tem sentido.
Pra começar, eu voltei pro Brasil! (pois é, faz tempo mesmo
que eu não escrevo) e agora estou morando em Curitiba. Tenho que achar um lugar
para trabalhar, o que está sendo complicado, porque pessoas não querem
contratar alguém que só pretende ficar no emprego por 6 meses.
Meus planos são de trabalhar até o final de Julho, para juntar
dinheiro para passagem. Desde pequena eu já sabia que trabalharia para viajar,
mas não é mais algo que farei no futuro, e eu preciso fazer agora, já, antes
que tempo (e dinheiro) passem.
Me frustra ter que me preocupar com dinheiro, eu nunca fui boa
nisso, e para falar a verdade nunca quis ser. Mas infelizmente sonhos só são de
graça se continuarem sonhos pra sempre, porque mesmo os que não custam
dinheiro, vão exigir seu esforço.
Quero voltar em Julho para os EUA para fazer faculdade lá. Muita
gente não entende isso, algumas pessoas acham que é um esforço vão ficar tanto
tempo longe dos pais e da zona de conforto, outras acham que eu quero ir porque
lá tem um ensino melhor, ou porque eu não gosto daqui, mas vou explicar o real
motivo de me fazer querer voltar, e para isso, vamos fazer uma viagem pela
minha história escolar.
Vou levar vocês para uma das minhas primeiras memórias do ensino
fundamental:
Os corredores da escola estavam vazios e silenciosos, não
tinha muita gente, afinal eu estava indo pra uma aula de reforço, fora do
horário normal. As paredes brancas eram altas e o piso liso, meio
acinzentado, uma imitação de mármore ou algo do gênero. Eu observava os números
nas portas procurando aquela em que eu deveria entrar, e por um momento pensei
até que tinham me enganado, e que não tinha nenhuma aula extra. Até que escutei
a voz da minha professora vindo de uma sala no final do corredor. Daquela aula
eu me lembro de duas coisas que me chamaram atenção, a primeira foi que eu
gostei do que a professora estava nos mostrando, ela escreveu no quadro a
palavra TARTARUGA e nos pediu para a observarmos bem, e descobrirmos se haviam
outras palavras dentro dela. A outra (vou soar como quem se faz de vitima, mas
só estou relatando o que percebi naquele momento) eu reparei quando olhei a
minha volta e vi apenas os alunos mais "lentos" e nenhum dos
populares, ou os que tiravam as melhores notas, mas eu não acho que aquilo
tenha me incomodado, para ser sincera eu não liguei pro fato de ser devagar até
estar quase no ensino médio.
Foi nessa escola que eu fiz a primeira e segunda série, e na
minha sala, nesses dois anos, estudavam tres melhores amigas, elas eram tudo
que eu queria ser, elas tinham as canetinhas e lápis de cores mais legais, elas
tinham até uma coleção de pontas de lápis quebradas. Duas delas nunca me
trataram bem, eu me lembro de um dia em que a professora pediu para a turma
fazer duas filas, uma de meninos e uma de meninas, eu fui até a fila feminina e
quem estava na minha frente era uma das três amigas, e uma das duas que não
eram muito simpáticas. Ela me falou que a minha fila era com os meninos, e ela
gritou isso cada vez mais alto até eu sair dali.
Agora vamos para a terceira série, quarto ano (o pior de
todos). Eu e minha família estávamos morando em Foz do Iguaçu, e porque meus
pais trabalhavam muito eu e minha irmã Raquel ficávamos na escola por período
integral, (enfim, vou guardar um pouco da aventura de ficar na escola o dia
todo - com professores que não suportam crianças - para um outro dia) mas o que
quero contar hoje, é que em alguns dias da semana minha vizinha me
dava carona, mas os alunos não podiam sair da classe enquanto não tivessem
copiado tudo do quadro. Como vocês podem imaginar, muitas vezes eu tinha que
ficar mais tempo na sala para copiar até o final, e em algumas
situações isso me fez perder a carona (não que a vizinha
fosse uma das pessoas mais compreensíveis que eu já tenha
encontrado).
Sobre a quarta série (agora em Curitiba) eu não tenho do que
reclamar, a escola era bem perto do apartamento e eu podia ir a pé sozinha,
então me sentia o máximo, e também tem o fato de que aquela escola só vai até a
quarta série, o que me tornava uma aluna da sala mais descolada do
colégio.
Na quinta série eu me mudei pra Witmarsum (uma colonia que
fica a uns 60 km de Curitiba) e lá conheci, logo na primeira semana, a menina
que é minha melhor amiga até hoje, então por mais que eu não entendesse nada de
como as letras foram parar na matemática, eu me divertia todas as manhãs. e foi
assim até o primeiro E.M., quando eu me mudei para a Bahia.
Além de ter me separado das melhores amigas que eram uma base
emocional para mim, eu mudei de uma escola publica de um nível ótimo, para uma
escola particular que se importa mais em seguir as apostilas do que com os
alunos. Eu achei meu grupo de amigas, nos formamos juntas, e nos falamos até
hoje, então eu não fiquei sozinha, mas as minhas notas iam de mal a pior. No
terceirão, muitas vezes eu ia chorando para a escola, ou minha mãe tinha que
literalmente me tirar a força da cama, o que era humilhante tanto pra ela
quanto pra mim.
Terminei o Ensino Médio com 16 anos (gosto de falar isso,
mas fica um segredo só entre a gente, faltava uma semana para o meu
aniversário) e posso te assegurar que quando eu estava fazendo o juramento com
a minha turma senti um alívio tão grande, e uma alegria por ter passado por
aquela tortura sem reprovar, e também fiquei pensando na minha mãe durante a
cerimonia inteira, porque eu não só acho, mas tenho absoluta certeza de que se
não fosse por ela eu não teria terminado aquela etapa antes dos 17.
Minha formatura foi dia 14 de novembro, e meu voo para Ohio
foi dia 21\22. Saí do Brasil sonhando em fazer medicina (tenho esse sonho desde
os 11 anos de idade), mas ao mesmo tempo muito machucada pela escola, e com um
pensamento na cabeça "Como vou estudar mais uns 8 anos tendo muita
dificuldade de entender uma matéria que não envolve nenhum dos meus dons?"
Nos Estados Unidos meu tio me proporcionou a oportunidade de
fazer um curso de pintura aquarela, e na primeira aula eu quase chorei de
emoção (não que seja difícil de me emocionar) quando eu entendi tudo o que o
professor falava. O nome do meu professor é George, e ele pinta aquarela a mais
de 50 anos, então entendam que eu não disse que eu sabia tudo o que ele
explicou, mas eu entendi todas as palavras, e elas faziam total sentido.
Conforme as tres horas de aula passavam, eu sentia um peso diminuindo, e posso
comparar a sensação a um muro de tijolos velhos desmoronando com apenas um
peteleco, ou a um quarto, que antes completamente escuro, agora aloja a luz de
pequenas velas se acendendo gradualmente. E aquela aula criou em mim um dilema
"Sigo o velho sonho de fazer medicina, ou procuro uma faculdade para
desenvolver algo que já está dentro de mim?".
Algumas semanas depois da minha primeira aula de pintura, o
meu líder de jovens me levou pra faculdade que ele e sua esposa (uma das minhas
melhores amigas norte americanas) estudaram, eu já tinha ouvido falar daquele
lugar e da história de como eles se apaixonaram algumas vezes, e estava doida
para conhecer. Sabem quando você se obriga a não criar expectativas porque acha
que a realidade não vai suprir nem o minimo do que você esperar? Não era o que
eu estava fazendo em relação aquela universidade, porque o que eu esperava do
lugar, mesmo que ainda não pensando em ir estudar lá um dia, era que seria a
uni mais legal de todos os tempos, e mesmo esperando tudo isso, quando eu
cheguei lá, vi que era ainda melhor.
Eu me identifiquei com os princípios que percebi que eles
tem lá, gostei muito do campus, das árvores e esquilos que moram nelas, me
apaixonei pelo refeitório (comida é sempre importante) e quando fui conversar
com a mulher encarregada de alunos estrangeiros, eu quase não pude acreditar
nos cursos oferecidos, era como se alguém tivesse me acompanhado a vida toda,
visto o que eu gostava de fazer, o que eu fazia de melhor, juntado tudo e me
oferecido para eu passar de 4 a 5 anos aprendendo sobre elas. Essa visita a
faculdade criou outro dilema "Tentar estudar fora do Brasil ou voltar para
casa perto da família e de gente que fala minha língua mãe".
Para contar a história completa de como eu decidi que queria
estudar na Malone, tenho que mencionar um acampamento em que fui, no qual em um
período de oração senti muito forte que Deus estaria comigo por mais improvável
ou difícil que fosse para eu fazer a faculdade lá. Também teve choro no
telefone quando eu contei para meus pais como eu estava me sentindo sobre ficar
lá por mais tempo, muitas conversas de madrugada por mensagens com alguns de
meus melhores amigos, e muita oração, não só da minha parte, mas dos meus pais
também.
Depois de saber que eu queria entrar naquela faculdade, eu
estudei para fazer o ACT (uma prova que eu comparo com o ENEM) minha
nota foi 18 a nota máxima é 36. Eu não fui muito bem, mas a diretoria da
Malone falou que tem alunos nascidos nos EUA que entram em faculdades com notas
menores que essa, então fui aprovada! Viva!
Como resultado da aprovação, cresceu a esperança de que eu
poderia fazer faculdade no lugar que fez com que a ideia de
estudar fosse algo que me empolgasse, e não depreciasse. Por isso agora eu
dependo inteiramente de orações, doações e Deus para poder estudar lá, porque é
uma faculdade particular, e não temos condições de bancar.
Posso te dizer que ter o futuro dos seus sonhos dependendo
da boa vontade dos outros não é uma das situações mais agradáveis, mas eu sei
que o que eu poderia fazer eu fiz, e vou continuar me esforçando para não serem
apenas sonhos.
Antes de me despedir quero acrescentar que por mais que a
situação de ensino não ser ideal, e que muita gente se sente derrotado pela
escola todos os dias, tem um dom dentro de cada pessoa, e todo mundo se encaixa
em algum lugar ou uma área de conhecimento. E também que eu acredito que todo
ser humano já sofreu bullyng, mesmo antes de darem esse nome para isso. E uma
das descrições de bullying é "agressão física ou moral repetitiva que
deixa marcas para o resto da vida da pessoa" mas eu sei que cada um faz o
que quer das marcas que tem, e pedras jogadas em você podem se transformar em
uma escada que te leve mais alto do que você espera (está ficando tarde e eu estou
tendo pensamentos cada vez mais profundos).
Não sabemos e nunca vamos saber o quão cheia de
possibilidades a vida pode ser enquanto não nos prontificamos a trabalhar por
nosso sonhos e acreditar em nós mesmos. Ninguém tem a vida resolvida logo de cara,
e até Einstein ia mal na escola. Não deixe que ponham um rótulo em você, e nem
coloque um limite de até onde você consegui ir. Seja feliz e aceite cada parte
de você, assim você pode descobrir mais sobre si e viver mais alegremente!
Como prova de que eu tenho trabalhado em me aceitar, eu vou
postar isso mesmo sendo 01:55 e sabendo que várias frases que escrevi
podem não fazer tanto sentido quando eu acordar.
Muito obrigada por se interessarem pelo que eu escrevo, e
por voltarem aqui mesmo sabendo que eu sou uma enrolada para postar novidades.
PS: Meus pais me contaram quando eu estava na segunda
série falaram para eles que provavelmente eu tinha déficit
de atenção. Meus pais nunca me contaram, porque vai que eu acreditasse,
né?
Eu sei que muita gente tem esse rótulo hoje em dia, mas
acredite que não é só porque você não consegue aprender do mesmo jeito que seus
avós aprendiam na escola, que você não tenha capacidade de aprender de
maneiras diferentes e inovadoras! Como eu disse antes, as condições
de ensino não são ideais, mas cada um tem dentro de si um caminho para
aprender coisas novas.
Abraços de urso. Até a próxima!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirDébora, primeiro quero dizer que estou com muita saudades! Depois, que escreve muito bem! E, querida, tenho certeza que vai alcançar esse sonho! Você vai conseguir porque Deus está conduzindo seu caminho e ele mesmo quem te deu seus sonhos, não é mesmo? Deposite sua esperança nele e vai dar tudo certo!
ResponderExcluirBjo
*orando por você!
Efésios 4:13-15 NTLH
Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo. Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas. Essas pessoas inventam mentiras e, por meio delas, levam outros para caminhos errados. Pelo contrário, falando a verdade com espírito de amor, cresçamos em tudo até alcançarmos a altura espiritual de Cristo, que é a cabeça.
Estou torcendo pra que tudo na sua vida dê certo!!
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