Para Raquel
Me lembro de pedir muito pros nossos pais pra ter uma irmãzinha, engraçado, eu tinha só 3 anos quando você nasceu. Eles contam que quando eu fiquei sabendo da gravidez eu abracei os dois e falei um animado "Parabéns!!". Nós conversávamos através do seu telefone fixo, o umbigo da mami, e depois de um tempo, você nasceu. Um pedacinho do céu que Deus quis compartilhar com a gente, um anjinho, loiro, de olhos azuis enormes.
Desde então você tem muitos apelidos, cebolinha (acho que no começo era pelo cabelo espetado, mas mais tarde você realmente falou igual ao cebolinha), furacãozinho, doutora Raquel, papagaio (ou era arara?), Yumi, amiga, irmã... Mas hoje de todas as palavras que posso usar pra te chamar, prefiro: companheira.
Você esteve em Curitiba pra me ajudar a bolar apresentações pra nossa família, dentro do nosso quarto, esteve em Luanda pra me ajudar a arrecadar dinheiro pra reformar um jipe pro papi e pra mami, esteve em Foz pra bater nos meninos que eu tinha medo, esteve em wit pra pegarmos juntas o ônibus da escola no frio as 5 dá manhã, esteve na Bahia pra me escutar durante a fase em que o resto dá família parecia não me entender. Está comigo hoje, mesmo que não me entenda, você se põe de pé ao meu lado, segura minha mão e me ajuda a me firmar.
Meus amigos no Ensino Médio sempre me falavam que achavam linda nossa amizade, e que nunca tinham visto irmãs andando de mãos dadas no caminho pro colégio. Claro que também tenho aqueles amigos que frequentavam nossa casa e ficavam constrangidos com o tanto que a gente discutia, mas isso fica em off hoje.
Quanto mais tempo passo longe de você mais tempo dura a nossa reação boba quando nos encontramos, piadas, risadas mesmo sem nada engraçado, abraços repentinos e apertados, bagunçar o cabelo uma da outra... Até que uma hora não só o adomem dói de tanto rir como as bochechas e o rosto também.
Eu te segurei no colo quando você nasceu, nós crescemos juntas, você é parte de mim, uma parte mais alta e mais forte do que eu inteira! Ver você completando mais um ano me emociona. As vezes vejo alguns “erros” que eu cometi na sua idade em você, coisas que eu gostaria que eu não tivesse te passado, porque conheço esses sofrimentos e preferia te proteger deles. Mas ao mesmo tempo eu sei que juntas aprendemos muitas coisas boas, e que ainda estamos crescendo lado a lado.
Desejo que esse próximo ano seja bondoso e amoroso com você, desejo que a gente possa se ver mais vezes do que o ano passado, e que tudo que você tenha a oportunidade de aprender você agarre, que você se empolgue com tudo que te fará crescer, mesmo a dor, e que você saiba discernir o que te fará mal e deixar pra lá. Mas também te desejo que tudo isso seja leve, que você não se sinta na obrigação de ter 30 anos quando na verdade está fazendo 17, que você compreenda que a maioria das pessoas ainda não sabe bem o seu lugar nesse mundo maluco e que tudo está sujeito a mudanças. Eu sei que seu estilo é de planejar e entender tudo, mas as vezes a gente precisa se soltar pra poder voar, e não precisa ter medo, você não está sozinha.
Raquelzinha, eu te amo! Com muito carinho, sua Lala.

Comentários
Postar um comentário