Você é Responsável por Aquilo que Formas


Isso vem me incomodando há um tempo então talvez seja hora de colocar pra fora.

 Pois bem, no começo me deparei com postagens e textos de colegas que mencionavam a formatura como se fosse a maior vitória deles até então, estranhei “será que tem algo de errado na minha falta de orgulho por ter me formado? Eu também batalhei tanto quanto eles, por que não estou me sentindo assim?”.

 Não quero de forma alguma desmerecer o centro universitário onde estudei, nem o curso que escolhi, muito menos meus mestres que lembrarei pra sempre com muito carinho, mas minhas notas nunca me definiram... Desde muito nova na escola eu me lembro desse desapego, que talvez foi gerado como mecanismo de defesa para evitar frustrações maiores quando eu tinha dificuldade no aprendizado, ou talvez ele já nasceu comigo. Me enrolava na hora de copiar do quadro, nada no mundo me ajudava a entender os números, mas eu ia pra casa, e eu era a Débora, eu era a peculiar e sonhadora Débora... Eu tirava oitos e noves em história sem nunca pegar um parágrafo pra ler e, se tivesse como, teria tirado notas negativas em física não importando quantas horas eu ficasse estudando. Isso não me define.

Hoje eu tenho um diploma, graças a Deus. Ele também não me define, graças a Deus.

 Ainda tenho TANTO pra aprender, e essa certeza vem junto com a de que a minoria dessas coisas vai ser ensinada numa sala de aula. De novo, sem desmerecer o ensino e a academia, mas tão pouco da nossa vida pode ser resumido a isso. E acho que menos ainda deveria... Nossa turma teve primeiro e segundo lugar de melhores alunos, e isso foi medido a partir das notas. Um desses alunos conseguiu parte das notas achando atalhos e degraus, mas pra sempre irá carregar o orgulho de ter seu diploma emoldurado em dourado. Mas não tiveram como medir o companheirismo e as amizades, a força de um aluno inspirando o outro a seguir seus sonhos (ou lembrar-se deles). Não tem como medir, não em notas pelo menos, o tamanho das boas intenções e dos corações de quem desde o primeiro período mostrou sua paixão por outras vidas tentando influenciar a turma a pensar sobre o vegetarianismo e veganismo, produzindo trabalhos que não foram necessariamente pelas notas, e sim por algo em que acreditavam.

 Desde de que eu terminei a faculdade a cobrança tem sido maior, maior a pressão pra que eu me encaixe num sistema que pra mim é completamente tóxico. Acho que as pessoas grandes esquecem que não se pode exigir que a vida do outro aconteça como aconteceu com a sua, e que tudo tem seu tempo e pra cada ser esse tempo vai ser diferente, que inclusive as prioridades são diferentes... E aí elas ficam cobrando coisas, talvez sem essa intenção ou sem perceber, talvez ainda achando que estão ajudando. Quanto mais me cobram e vejo que ainda não alcancei o que esperam de mim, menos auto confiança tenho e menos consigo -me permito- sonhar, porque sonhos parecem bobagens inalcançáveis, já que aparentemente, eu não tenho o necessário para alcançá-los. Mas eu sempre tive uma alma sonhadora, então eu tento me segurar nela, isso gera um paradoxo que só me sobrecarrega, me impedindo de ver as coisas claramente e de permitir que a vida flua.

  Agora algo bem pessoal: desde que minha saúde mental melhorou, essas semanas depois da formatura tem sido as piores. Mas todo mundo já falava “depois só piora”... Falo isso com indignação e talvez até um pouco de raiva, mas as pessoas grandes dizem com um sorriso irônico, que quase deixa transparecer o orgulho por terem apanhado mais da vida “daqui pra frente é mais difícil”, “acabou a moleza”... Eu gostaria que ao invés de gastarem suas energias com essa falta de empatia elas tentassem fazer as coisas serem um pouco mais leves, nos ajudando a reposicionar os pesos e equilibrar cada coisa no seu lugar ou, se fosse muito difícil, que só ficassem quietas. (Um parênteses pra lembrar que os tempos mudam e não tem como uma pessoa experimentar a mesma fase da vida em duas épocas diferentes, sendo assim, ninguém pode afirmar que para si foi mais difícil ou fácil)

 Mas pra terminar, eu gostaria que todo mundo entendesse que cada vida é uma vida, e as coisas vão se desenrolando de um jeito diferente pra cada um. Queria também que a gente não vivesse em uma sociedade que nos faz ter orgulho de nos resumirmos a algo que cabe em uma folha. Que parássemos de ver vantagem em nos diminuir a um status. Que a gente aprendesse sobre o que mais nos apaixona e cativa, que fossemos movidos a uma curiosidade e um interesse infinitos, gerando resultados valiosos, e não que nos limitássemos a coisas insignificantes para a alma. 

 Eu sou sim uma mistura de tudo que já vivi, já li, já aprendi. Mas de maneira nenhuma isso vai se resumir a algo impresso em um papel.

Comentários

  1. Hi Deby. Just read your blog and glad to see that you have a good handle on what's relevant and life forming and Life altering events in our existence. Thanks for sharing.

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    1. Thank you, Frank! It means a lot to me that you understand what I wrote and meant! Love you

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